Claudia Mussi escreveu sobre o show em sua cobertura do #RIAlto - A Semana do Riso.
Confira o texto abaixo.
#RiAlto: DIA 02
A noite de comédia no Bohêmio acabou sendo uma noite legitimamente educacional. Aprendemos fatos interessantes sobre a cultura açoriana com a Dona Bilica e sobre a vagina das baleias com Malcon Bauer.
Outra coisa que a gente passa a entender é que fazer comédia não é pra qualquer um. Escrever sobre comédia também não, e é por isso que me sinto como se estivesse em um stand up agora mesmo. Escrevendo meio que de improviso, sem saber onde este texto vai parar ou se vai agradar alguém.
Lembro-me de ter visto a Dona Bilica pela primeira vez no colégio. Todas as turmas reunidas em um imenso auditório, criança jogando bolinha de papel nos atores, puxando o cabelo da coleguinha que fica brava e devolve com um soco, conversas paralelas que levam dois ou três à sala da coordenadora e um grupo de professoras frustradas no fim do espetáculo, envergonhadas com a própria ideia de ter chamado a atriz ao colégio.
A Dona Bilica já fazia um espetáculo de primeira naquela época. Ontem, no bar, foi ficha. De humor delicado, temperamento ácido e sotaque mané, abriu a noite com suas histórias escangalhadas da Barra da Lagoa.
Em seguida, veio o Comédia à Trois, com os queridos Dani Olivetto, Grazi Meyer e Malcon Bauer. Confesso que já me divirto à beça com essas figuras no Teatro de Quinta e que me surpreendi com eles fazendo humor de cara limpa.
Fazer stand up com personagem e sem personagem é muito diferente. Acho que a gente que estudou teatro consegue desenvolver uma imensa relação de disparidades. Se colocadas no papel, teríamos algo como a tal a lista de amor e sexo do Jabor. Amor é stand up de cara limpa, sexo é com personagem.
Bom, no Comédia à Trois o assunto é só sexo mesmo. As desventuras sexuais do ator de teatro infantil, da atriz frustrada e do goiaba. Algo que começa meio que como uma confissão envergonhada ganha timing de comédia e se transforma em situações bizarras, ainda que críveis. Você não sabe mais se está rindo da piada, de dó dos atores ou por ter se identificado com eles.
É por isso que fazer comédia, como eu ia dizendo, não é pra qualquer um. E quando a comédia é boa mesmo, você se pega rindo não só do desfecho da piada, você, na verdade, é tomado por uma sensação de gargalhada da sua própria vida, dos seus próprios problemas, ao mesmo tempo em que descobre que muita gente naquele bar está na mesma situação; aí, a noção de coletividade toma conta e você continua rindo, sem saber se foi da piada, de dó dos atores, por ter se identificado com eles ou se é só da cara do outro mesmo.
É esta a sensação que o Comédia à Trois levou ao Bohêmio ontem. Assistam se puderem.



